Espera-se

2 01 2014

 

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Procura-se: desaparecidos, cachorros, ilustradores talentosos, carpinteiros, notícias,  apartamento para alugar ou dividir, empregadas e babás. O verbo transitivo procurar vem do latim procurâre, que significa ocupar-se de, fazer diligências para encontrar, buscar, esforçar-se por descobrir, refletir, desejar encontrar-se com, dirigir-se para, pretender ou tentar.

Conheço gente que procura, mas procura mesmo, e o faz desesperadamente. É gente aos berros procurando alfinetes pela casa, clipes em papéis antigos, objetos inanimados para continuar algo, problemas para se ocupar, anotações de uma reunião importante, yoga para confortar, neurolinguística para treinar o cérebro, meditação para sentir-se melhor sobre o que a vida não dá. Sei de gente que até procura o tempo que perdeu, numa tentativa subumana  de reviver o passado como personagem de filme. Sobretudo, muitos que conheço – muitos mesmo – procuram um amor. Querem e buscam incansavelmente este sentimento. Frequentam locais com o objetivo de, simulam uma personalidade que não possuem e até se enfeitam (e como se enfeitam) em prol da busca incansável do amor. Eis pra mim a dialética da questão.

Estranhamente sempre entendi a procura como uma ação interligada a algo que você já teve. Buscar o que nunca se teve é sonhar. E acreditem a maioria dos que conheço e que buscam um amor, apenas idealizam o que ele é sem o terem realmente conhecido. Entenda meu caro, sonhar é bom, mas nada tem haver com a transição da busca de algo. Procurar o é o entremeio do que você deseja, é a maneira interna de se construir para algo, é o modo, a lapidação e nunca a conclusão do objetivo. A meu ver , querer e sonhar, são antônimos de procura.

Veja bem, ao associar o desejo do amor a procura, acredite, você se tornará ridículo. Simplesmente porque tentará de tudo. Estar em lugares que não quer, fazendo coisas que não te compõem, justificando para si próprio qualquer ato desmedido em busca de algo que não depende de você. Isso mesmo, amor depende do acaso, do não propósito de encontrá-lo.  Sempre acreditei que amor nos encontra numa sexta feira chuvosa em que você furou o pneu do carro e quase ninguém parou para ajudar, ou mesmo, quando você sem motivo foi àquela festa de um amigo tão querido e alguém especial te saudou com um copo de plástico enquanto você pedia mais uma cerveja. Qualquer coisa diferente disso poderá ser o seu querer imenso misturado a uma busca daquilo que você nem sabe mesmo se é amor.

Não quero fazer apologia à quem busca, confesso que num momento demente da minha existência já fiz parte da turma do procura-se, mas por hora limito-me a turma do espera-se. Se quem espera alcança, nunca saberei. Mas por enquanto me preparo para o que a vida me oferece de mais bonito: a casualidade dos dias não especiais. Por estas e outras espera-se alguém que não ligue pra roupa que eu visto, mas que se importe com o tipo de sorriso eu coloco no rosto. Espera-se alguém com suas opiniões e convicções, seus gostos estranhos, que debata comigo de uma forma saudável sua visão de mundo. Espera-se alguém que faça diligências sim, mas só se for com a finalidade de realizar surpresas castas e não castas para nós dois. Espera-se alguém que curta música boa e até diferente do meu gosto. Espera-se alguém que não se interesse no amor completude, mas sim no amor complemento. Espera-se alguém que não busca nada com nada, mas que se deixe levar pela poesia mais pura da alma. Por fim, espero alguém que também espera. Porque embora que quem procura acha, quem espera sempre se prepara e se conhece do melhor jeito.





Queixa musical

7 12 2013

desabafoPara quê me quer aqui, posto, disposto a te fazer feliz? Suplica minha educação, minha gentileza, mas no fundo, no fundo, subestima minha inteligência. Tudo bem, compreensão nunca foi seu forte. Não tem problema, eu explico como funcionam as coisas do lado de cá. Sabe, eu sempre fui da turma do tudo ou nada. Nunca me dei bem com estas situações, meio inverno, meio calor, meia cor, meio amigo e muito menos meio amor. Gosto meu, coisa de gente tola, densa, mas sobretudo real demais para alimentar uma pseudo esperança que não nos levará a lugar algum. Me chame de descrente, me acuse negligência mas ao mesmo tempo me desculpe. Desde que você resolveu viver sua pseudo paixão exaltação – embora não sem dor – eu te deixei partir. Afinal meu caro, a matemática que agora nos envolve é de fácil entendimento: se um não quer, duas vezes a indiferença a que me expõe quando não me precisas, é igual a minha total vontade de te deixar partir. E eu só te grito esta queixa, pra você entender que o objetivo da minha deixa é pra você ser feliz, pra você viver aquilo que se convenceu ser o maior amor da sua vida, pra você esquecer que estarei sempre aqui. Portanto sejamos sensatos, aceite os fatos, e seja gentil. Quem decidiu dar cabo da sua existência cotidiana fui eu. E para mim a meta é simples, e por mais que não entenda, eu só quero me livrar, te esquecer, sobretudo olhar as luzes que seus olhos não me tem deixado ver. E não fique bravo, mas entenda as consequências ao entrar em contato com uma pessoa intensa e dura como eu. Então fica comigo, ou vai viver sua epifania ética e na sua concepção moralmente aceita e me deixe em paz. Afinal, se você não me queria, não devia me procurar, não devia me iludir, nem deixar eu me apaixonar. Por fim, fique tranquilo, o meu desejo de bom dia, ou mesmo, a curiosidade de saber como vai você, não te fará mais ou menos infeliz. E apenas para arrematar, sobre a  preocupação do que os outros podem maldar, não esquente, entre o nada que pode me ofertar e o nada que pareço lhe dedicar além daquilo que hoje não pode corresponder, não há espaço para que possam nos notar e nos julgar.





Prosa quase poética

27 08 2013
Assassino na Alameda (1919) - Edvard Munch

Assassino na Alameda (1919) – Edvard Munch

Em dias assim,

Onde há noites de Sol e vento,

Me arrisco em ruas escuras

Desafiando a sorte.

Ando metros, quilômetros, léguas

E numa prosa quase poética

Suspiro com medo, mas também com vontade

Tomo água, degusto canções

Pulo canteiros sem plantas

Tropeço em calçadas,

raízes de árvores,

Lixo.

Rio de um verão escaldante que não condiz com nada

E num lapso devaneio, insano, insone e sereno

Eu peço,

Eu espero.

Suplico e desejo que me assaltem,

O coração

O pensamento

A alma.

Só pra sentir,

Para bater alguma coisa aqui,

Que pulse diferente da frequência

Solidão saudade.

Algo que me reviva o coração vazio

Que não bate

apenas palpita oco

Pulsando esperança

de  te encontrar pelo caminho

E ao mesmo tempo te deixar partir

Para algum lugar

Que me liberte

De um eterno caminhar poético e pachorrento

Desalento de intensidade

Compasso apertado

Pungente peito estufado

De um vazio que só existe

Quando em dias assim,

Me disponho a cansar-me

Para que fatidicamente me assaltem

O coração

O pensamento

A alma

E o desejo de ter alguma coisa aqui

Que me faça existir





Fragmentos

29 03 2013

Fragmentos

Continuar. Ir em frente, para os lados e até mesmo para trás, ainda é seguir. Não importa o rumo, ou a direção que se toma. Vale mais a pena remar e tentar uma alternativa, um vão, um pedaço de tempo em que você se encaixe, do que ficar a mercê da inércia. (21/01/2013)

As pessoas andam tão iguais. Meninas de cabelo repicado, franja falsa, maquiagem blasê, roupas curtíssimas e corpo esguio. Rapazes de cabelo espetado, corpo sarado, cérebro demente e uma barba por fazer que as vezes nem possuem de fato para exibir. Todo mundo curte sertanejo universitário, pensa na preservação do planeta por osmose, quer ser bem sucedido apenas para ganhar fama na cervejada no bar top que acontece toda semana. Mas aí eu me pergunto, e o mundo? Ah! Meu amigo, este … tsc tsc… Este também também mudou, e anda bem diferente do que eu conheci, supervaloriza-se de algumas coisas escusas que não cabem ao meu entendimento.
O mundo esqueceu-se da própria poesia de existir, da fé que o criou e até mesmo esqueceu de se dar valor pela real beleza que tem, afinal o importante agora é auto-preservação. Enfim, este papo pode até ser chato para você que não nasceu antes dos oitenta, mas sabe!? Sou da época onde era bacana ser diferente, e não ser por ser, mas ser de verdade, de dentro pra fora e não de fora pra dentro, onde o mundo era apenas um lugar para ser contemplado pela beleza que tem, sem se pensar em preservação de nada, a não ser do que sentíamos um pelo outro. A galera da minha época travava uma relação com o mundo muito menos caótica e muito mais poética. Éramos um do outro e pronto. Tínhamos uma relação afetuosa, e só era assim: SER POR SER, uma relação mais amorosa do que o amor igual que vejo todo mundo dedicando a ele hoje em dia. (26/01/2013)

Eu poderia esperar sentado, de pé ou deitado. Eu poderia convencê-lo a enxergar que mesmo eu com meu jeito autoritário, obsessivamente melindrado e com fome do meu corpo no teu, ainda posso te amar com o respeito que mereces. E eu poderia dizer que mesmo você e a sua tranqüilidade homérica, sua irresponsabilidade tardia, seus olhos doces e seu jeito despreocupado com o mundo, ainda me acha a pessoa mais certa que você já tropeçou na vida.
Afirmo com certeza quase impessoal: Nós ainda daríamos certo! Sim eu até poderia fazê-lo entender, que iguais não se amam, iguais sobrevivem. E que completude é um bagulho que não tem nada haver com amor, paixão, tesão, sexo e poesia. Completude é conformismo, cansaço, ou qualquer outra coisa deste tipo.
Sobretudo eu poderia fazer você suspirar enquanto aguardo no meu quarto solitário sob a penumbra de um sentimento estranho, sem forma, sem cor e sem vida. Mas sabe de uma coisa? Como dizia Rita hoje no carro: “Enquanto estou vivo, cheio de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz”. (16/02/2013)

Sinceramente? O mundo está perdido! E não se perdeu na promiscuidade gay, no preconceito contra os negros, nas guerra do Irã ou nas atrocidades que os seres humanos são capazes de fazer. O mundo se perdeu quando o homem utilizando de seu dom de oratória e persuasão passou a disseminar seus próprios medos e palavras em nome de um Deus que não se parece humano, que segrega e distrai ainda mais esta humanidade tão vazia.
Não gostaria de ser intolerante como os pastores evangélicos e a legião de mortos-vivos que os acompanham cegamente. Mas de verdade? Espero que o meu Deus e o Deus de vocês (que obviamente são diferentes) possa tocá-los o coração como seres humanos que são, e que possam fazer vocês se darem conta que milagre é um sorriso e um abraço no final do dia, seja de qualquer sexo, de qualquer cor, de alguém conhecido ou desconhecido. Milagre nada tem haver com a casa ou o lugar que está garantindo no céu, pois apesar de evangélicos, pastores, obreiras todos nós como diria Rita Lee no final viramos BOSTA! (07/03/2013)

Eu existo. E convivo bem com todas as minhas qualidades e defeitos, com todas as minhas chatices e humores e sobretudo com toda minha capacidade de dar carinho, ser atencioso e querer receber o mínimo em troca. Logo, já passei da fase de correr atrás sem receber retorno. (16/03/2013)

A pele que habito quase nada tem haver com os segredos do meu espírito. A casca abriga somente cicatrizes e felicidades que a alma não revela. (17/03/2013)

Abstenho-me do procura-se, precedo-me ao desejo de ser encontrado. Prometo toda a igualdade e novidade que há em mim nas grandes e pequenas coisas. Garanto a simples contemplação do céu azul e vento frio que habita os dias da minha estação favorita. Forneço poesia sem rima, com rima, fácil, difícil, rebuscada, sobretudo verdadeira. Prometo intensidade sem a vaidade do amor grudento de hoje em dia. Garanto uma saudade de quem se gosta de verdade, sem a lenga lenga do amor juvenil. Sim, eu me encontro de braços abertos, de peito erguido. Meus braços que não tateiam mais no escuro, mas que ainda no escuro procuram outros braços que possam corresponder a dança infinita de abraços, estendem-se a imaginação. Meu coração que dilacerado e cansado mas pronto para se encontrar, reencontrar, ressignificar e amar até o auge do seu baticum espera um outro coração que não ligue pra dinheiro, carro, trabalho, e que se importe com o simples fato de ser ou estar na mesma vibração que um outro alguém. (21/03/2013)

Vejo tanto casal que se ama se separando por nada que chego a pensar que as pessoas confundem amor com ego, capricho, novela ou qualquer souvenir da loja de 1,99! Vem cá, você achou mesmo que ele cheirava a galã de novela todos os dias? Que mantinha aquela pose descompromissada, tipo “menino da praia” e uma cara de que acabou de sair do banho a todo o momento? Achou mesmo que ela não tinha que trabalhar, estudar, dar duro para conseguir ser quem ela é? Acreditou mesmo que ela estaria sempre linda, pele Scarlet Johanson, cabelos Wellaton e um ar de Marylin Monroe quando a poesia tesa da cama os invadisse? E por último, vocês dois realmente acharam que só passaram a existir a partir do momento que se encontraram? Tsc Tsc… Entendam, a vida não é um mar de rosas. Amor não é cinema. Realidade de quem gosta de verdade tem haver com realização e não com o danado do romantismo piegas que a televisão incutiu na mente brasileira. Cresçais vos juntos! Amor é construção, compreensão, sobretudo abdicar aqui e ali de algumas vaidades em prol de algo que realmente seja digno de levar o título de amor verdadeiro. (26/03/2013)





Por aí…

13 11 2012

 

Você foi a minha saudade, o meu feito, o meu direito mais garantido e que se foi sem dizer tchau. Tudo bem. Eu já aprendi. As melhores das coisas da vida se vão em prol do renascimento, do reconhecimento de si próprio e com a finalidade de achar poder e possibilidade de re-amar. E só por isso, e só por hoje, não vou lamentar. Ainda lembro, ainda gosto, mas nada posso fazer com o seu desejo de se desfazer de mim, de se esfarelar no vento, com a sua vontade ávida de escorrer por entre meus dedos. E o que devo dizer agora? Palavra nenhuma, palavras escritas, palavras mudas que certamente expressarão sempre minha saudade, mas jamais meu anulamento. (04/07/2012)

Já senti, tive só tesão, já me apaixonei de primeira, já rejeitei e fui rejeitado. Me doei por um só e também já levei muita gente na bagagem apenas pela fuleragem seca de ter alguém. Contudo, paz, ódio, solidão e borboletas no estômago são todas fases de edificação. Afinal amor e solidão são estados químicos, líquidos ou gasosos. Sente-se ou estagna-se. (16/08/2012)

Entre tudo o que nos compõe, somos dois sedutores, desejos, encejos, paixão. Sobretudo o que nos é alimento, somos toda a vontade, força, sentimento e um turbilhão de sensações.
Contudo entre a fé e a realidade, somos apenas eu e você: Impulso, compaixão, medo e insegurança. Beijo quente, água ardente, terra fixa, amasso, sexo, alimento e gratidão.
Mas então me pergunto, porque motivo eu tenho você? Você por algum motivo ainda está guardado mesmo aqui? Este é mesmo o melhor lugar para estar, contigo, sem mim, com os outros? Não sei. Difícil opinar com razão e circunstância quando falamos de dois ávidos filhos de Vênus. (18/08/2012)

De repente me sinto a frente de meu tempo. Não acredito no amor completude que certamente se tornará solidão. Não creio no amor fácil que se torna escravo de desejos e idealizações que nós mesmos projetamos sobre o outro. E verdadeiramente custo achar real o amor amolação de sentir saudade antes mesmo de criar laços profundos para que este sentimento tão bonito (a falta do outro) aconteça.
Vamos parar com a mania empírica de achar que se não amou não viveu. Sejamos humanos e verdadeiros perante nossa condição. AMOR NÃO É NECESSIDADE BÁSICA para sobrevivência. Amor é troca de realidade e realizações. Amor não é indispensável convenção, mas também não é alimento para nada.E antes que me chamem de descrente ou pessimista, saibam que acredito sim no amor. E mais, adoro estar apaixonado e sentir a brisa gostosa que é estar ao lado de alguém que se gosta. Mas este amor ao qual me refiro, não tem nada de novela, nem de filme, pois amor pra mim é troca, jamais completude. Examinem-se. Tudo aquilo que nos faz mal e nos destrói, não é amor, e sim projeção boba de desejos infantis e surreais demais para darem certo neste plano tão terreno. (21/08/2012)

As vezes a vida aperta, consome, infla, dói no fundo. Existir é tarefa, é passo a passo, degrau após degrau. E quase sempre, brota, emerge, surge uma vontade súbita de ficar parado, só olhando, só querendo, só desejando, que realizar torna-se labuta quase que inimaginavelmente atingível. (30/09/2012)

Enquanto humanos repletos de condições e mobilidade, somos planetas inteiros para milhões de células que nos habitam. Se todos tivessemos o mesmo propósito, mesmo que em órbitas diferentes, seriamos então uma galaxia inteira e da mais precisa, porém com os mesmos mistérios. (10/10/2012)

Sobre amores impossíveis e a luta para consegui-los…
Eu não acredito que ninguém seja incapaz, cada um luta até o momento em que enxerga retorno, possibilidade, razão ou motivo para se estar ali. Contudo, amor não é feito por um só, é preciso de dois para existir definitivamente. E fatalmente depois de algumas tentativas, o impossível é mais pura realidade e o amor sem querer fica guardado numa gaveta de boas lembranças. (16/10/2012)

A vida seguiu. Mas eu te mantive ali, mesmo que na desesperança insana de ter você sem poder, te pus entre os meus amigos, entre os meus inimigos, entre as suas confissões de novos amores, entre o meu silêncio feliz de dizer para você que lhe desejo toda felicidade do mundo. Contudo, confesso: Eu te mudei de lugar tantas vezes na esperança de aquietar meu coração, de te deixar confortável, de sorrir junto com você mesmo que por dentro eu estivesse chorando. E você insistente se manteve aqui. pulsante, vivo, quente dentro da minha memória e mesmo te trocando o canto da sala e do quarto que costumava habitar, confesso que insanamente você ainda é minha casa, e creio que viverá para sempre dentro do meu coração. (20/10/2012)

 

Eu não vivo na danceteria, eu não malho, eu não tenho a roupa da marca X, Y, Z, ou mesmo, um óculos hype da Chilli Beans… Não, eu não sei ao certo quem é mesmo Katy Perry, Rihanna, ou qualquer outra que tenha surgido nos últimos dois segundos.
Sim, eu não traio o meu cérebro (principal músculo do meu corpo) em nome do seu tríceps, bíceps, ou barriga tanquinho. Mas fique tranquilo, também não procuro seus profundos valores, suas mais certas convicções, seu amor incondicional. Podemos construir tudo isso juntos? Eu tenho paciência, eu tenho “estofo” pra ensinar o que você ainda não sabe. Mas vamos falar a verdade? O que eu busco não tem nome, não se identifica a olho nú, não se esfarela no tempo, pois sobretudo o que me mantém é duradouro, é concreto, e um pouco usual demais para qualquer um da dita nova geração. (20/10/2012)

A gente aprende a exigir aquilo que não tem, mas não o que necessariamente nos falta. (02/11/2012)

Meus olhos estão cansados, na verdade minha alma toda está.
Cansado desta babaquice que virou o mundo atual, cheio de pompas, resguardos, nomes bonitos para as coisas, anseios gigantescos e renúncia a nossa essência animal e racional. Ninguém mais pensa que é, todo mundo só quer ser, só quer ter, só quer viver um conto de fadas imaginário e sombrio de um livro de auto ajuda qualquer que se encontra numa promoção das mais vagabundas. Ainda bem que nem tudo é término.Ainda há esperança na poesia pílula, totalmente moderna do século XIX.  (05/11/2012)





Por que solteiro?

2 07 2012

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Entre política, poesia, compras e uma prosa trivial lá estava ela, a suntuosa, simples e banal pergunta que não quer calar: Porque você está solteiro, hein? Obviamente lançar mão de um “Melhor sozinho do que mal acompanhado” cabia como resposta a esta pergunta dirigida à mim com tanta veemência e indignidade, ou mesmo, um “Estou focado no trabalho e não tenho tempo para relacionamentos” satisfaria a curiosidade alheia. Contudo eu preferi me calar, engolir seco, olhar ao redor e balbuciar com insegurança: – Não sei.  E  juro, é a mais pura verdade.

Pensando sobre o assunto, tentei colocar a culpa em Deus, no destino, no além, nas cartomantes que eu nunca visitei e que me assegurariam certamente um amor para daqui a tanto tempo.Mas é claro que esta simples transferência não me coube. Acreditar que o ocultismo estava conspirando maquiavelicamente contra mim era demais para o meu senso de realidade. E então me impliquei de mim e comecei a me questionar, afinal não saber a resposta de uma pergunta tão simples e concreta para um taurino como eu, é quase que inaceitável.

Mas e então, por que eu estou solteiro? Resposta número um, eu não encontrei ninguém que também me quisesse e me fizesse perder a cabeça a ponto de aceitar um relacionamento apenas para renunciar a solidão, desconsiderando o resto, o entorno, o encaixe das coisas cotidianas. Sempre acreditei que nAMORo tem haver com a convivência quase que diária. Resposta número dois, eu não tenho medo da solidão, já a aceitei por tanto tempo e confesso que até chega ser agradável não ter que dar satisfações, depender ou co-depender de alguém para me divertir. Resposta número três, as duas respostas anteriores são parciais inverdades. Apesar das pessoas acharem que estar sozinho é uma opção, não é bem assim na prática.

De fato,  sou exigente. Meu amado precisa chamar a atenção dos meus olhos – mesmo que o restante do mundo não veja beleza alguma – precisa saber falar corretamente e principalmente necessita ter um($) sobrando para pagar sua própria conta. Numa boa? Cansei de pagar o lanche, o motel, a gasolina e tudo mais em nome de uma paixão menos durável que carnaval. Será que estou pedindo muito?

Não, não sou materialista, e antes que digam que eu só espero que a pessoa pague seu próprio consumo, acreditem, eu desejo primeiramente que ela seja sensível na medida, admirável em certos pontos, detestável em outros, notável por poucos feitos, e que discuta comigo pelos meus erros e acertos em prol da nossa evolução. Em premissa, este alguém que ainda não encontrei, deve errar e acertar diversas vezes. É preciso que seja carinhoso – mas não em demasia –  que saiba me levar mesmo quando eu não quero ir de uma forma que eu nem perceba que realmente não queria estar lá ou ali. Sobretudo  meu amor precisa ter senso de realidade, e carece ter passado da fase namoro sessão da tarde e malhação para desbancar a minha tão confortável e inoportuna situação de solteirice. E esta talvez seja a minha complexa resposta para uma pergunta tão simples. Uma resposta confortável com coesão e coerência de acordo com a projeção do que quero, pois assim fica mais fácil sanar os porquês.

Contudo, não sou categórico em todas as exigências, sou capaz de me apaixonar por um marciano que queira falar das estrelas e da lua, de plutão e astrologia, desde que também fale de Garcia Marques, Cazuza e economia atrelado a um saco de pipoca dos mais baratos, num banco público junto com um desejo insuperável pela poesia tesa da cama quando assim ela se fizesse. E concluo que no fundo estou sozinho hoje, por que sempre quis um amor que me coubesse nas arestas e não em igualdade como os casais de hoje em dia. E com uma pitada de realidade cabível aos meus vinte e sete a verdade é que sem o mínimo do máximo que eu ofereço não vale renunciar a liberdade da solidão por um amor Sandy e Junior que hoje definitivamente não me apetece.





Divagações

16 05 2012

O tempo não leva, o passar dos dias é só um lugar seguro para se guardar boas lembranças. (09/05/2012)

A vida segue. Mas não vou te eximir da culpa. Não espere isso de mim. Serei a vítima a partir de agora, afinal que negócio é este de sofrer por culpa minha? Não, não. Me recuso! A culpa é sua. Pois nesta história só cabe uma culpa. E só há espaço para uma sentença. E contudo há você e sua consciência. Eu e o meu amor. Você e nem ao menos a chance direcionada à minha pessoa. Eu e a tristeza de tantos dias. Você e a alegria de seu novo amor. (07/05/2012)

Tem. Todo mundo tem um grande amor não correspondido. Um cheiro no nariz que insiste em não sair, uma pele que insiste em guardar lembranças alheias, uma vontade louca de fazer uma besteira, mesmo que esta besteira seja só ligar para dizer um Oi e constatar que você não foi a pessoa que aquela outra pessoa escolheu para ser feliz.(28/04/2012)

Eu sou uma daquelas pessoas. Daquelas poucas, daquelas muitas, daquelas tantas, daquelas escusas, daquelas prolixas e intensas.
Me apego fácil, me retiro quando necessário, me faço ser notado quando desejo, me digo, me abro pra qualquer um, me protejo, me projeto. Me curto e me desfaço quando não estou afim.
Minha vida é um livro aberto, uma caderneta incerta, um souvenir sem a surpresa do presente, do ato, do abraço do mundo. Não tenho laço, não tenho acaso, não tenho o intuito do pouco, do menos que vive dentro de mim. Por estas e por outras não desejo mais querer o básico, o mínimo do possível, do momento, do minuto de onde você entre tantas muitas pode enxergar de mim. Eu sempre quis mais. E sempre irei querer mais. Além.
O que me me perfaz é o mais, e é também o menos de todas aquelas pessoas, aquelas que de tantas são poucas, que de curtas e inexatamente vibrantes passam e vivem, nascem e moram em mim. (11/04/2012)