É ilegal, imoral ou engorda

29 03 2009

Nos conhecemos fazem quase quatro anos. Travamos,desde então, uma relação previsívelmente inseparável. Indizível aos que não o possuem como amigo,amante ou enamorado. Não foi a primeira vista, confesso. Tampouco realizou-se como nas novelas ou filmes. E apesar do cinema antigo lhe prestar até hoje, um certo glamour. A primeira sensação que me causou, foi a de completa estranheza, me levando ao poucos à uma leve tontura (exclusiva sensação de quem se apaixona em pequenas doses, e aprende a gostar em submissão do outro, considerando até mesmo seus pequenos defeitos). Seguimos. E como toda relação construída aos poucos, levamos bem o fato de frequentarmos o mesmo círculo de amizades. E em um curto espaço de tempo, passamos a nos encontrar também sozinhos. Inicialmente achei difícil escondê-lo de meus pais. Enfrentei. Pois tê-lo todas as vezes em que a vontade aparecesse, bem próximo da minha boca, valía a mais cruel das sentenças. Tempos depois, tornou-se inviável escondê-lo. Escancarei as portas de mais uma de minhas intimidades. Alguns me disseram ser possível viver de forma obscura e excusa, segregando nossos encontros ao quarto escuro. Mas à mim, seria extremamente desgastante e doloroso vê-lo somente assim durante toda a eternidade como havia lhe prometido. Resolvi assumir ao mundo o nosso relacionamento. Os pais e alguns amigos extasiados com a notícia insistiram para que eu o deixasse. E enfrentei depois disso. e mais de uma vez, o terrível preconceito. Pouco importava. Como pouco importa alguma coisa, para alguém no auge dos seus dezenove anos. Continuei. Os anos íam, eu amadurecia. E controverso aos olhares alheios sempre que podia estava com ele. Reconheço que mesmo sem dizer uma palavra, todos os nossos momentos foram deliciosos e divertidos. E hoje mesmo observando que outras pessoas, com os seus, também o amam em silêncio xenofóbico, sinto que preciso findar nossa história. E eu só queria que ele soubesse, que se isso não se dá por consequência de puro e simples pré conceito. Nem tomo isso como medida e plano para 2010 com o intuito de magoá-lo. Mas é que sua presença e silêncio sepucral tem se tornado exaustivamente incomôdo. E mesmo que agora ele só importe à mim. Não há mais amor. E antes que protestem este relacionamento, como fazem à tantos outros. Sim, eu sei o quanto ele ainda colore as minhas melâncolias, e me acolhe em quietude quando todos os outros foram embora. Neste momento por exemplo, há o quarto, as palavras e ele. E mesmo que tudo que façamos seja ilegal, imoral ou engorda. E ele sabe que me fará falta. Tenho observado atentamente algumas de suas consequências. Que antes da nossa entrega total, nem me faziam piscar para entendê-las. Minha respiração por exemplo, já nâo é a mesma desde que nos conhecemos. Meu coração reclama atenção. E meu colestorol que já não está lá tão confiável, me ameaça enfarto a qualquer momento. Contudo querido CIGARRO, como dizia Lulu hoje no carro, “não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais”.

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