Eu, sem título.

25 01 2010

Hoje, e só hoje, eu gostaria de transpor a linha tênue de uma realidade forçada, para alcançar o mais puro estado do que se realmente é.

Há um desejo disfarçado de libertação do inexistente nas palavras que escrevo. Trata-se de algo que transpõe as regras naturais da inconsciência. Isso mesmo. Eu preciso e quero ser Anti-Natural para explicar-lhe, para explicar-me. E talvez assim, me sentir real e consciente.

O meu objetivo é e sempre foi o agora. Vivo para captar o instante, e o é de cada coisa invólucra a mim. E só por isso, hoje, escrevo com uma clareza, antes quase inalcançável.

E afinal, ONDE exatamente devo chegar? Não sei. Só sei que este lugar – meramente ilustrativo – não interessa aos seres libertos da composição dos outros. E é nisso que acredito quando escrevo assim. A pulsação de descobrir-se é um prato que se degusta sem a cara de nojo por saber de onde vêm as coisas. E por isso eu pulso, eu desejo e tento expressar-me com uma clareza conturbada e liberta de composições. Tudo isso, ao mesmo tempo, neste pequeno instante da minha existência.

Por que existir é extinguir os mau entendidos de você mesmo. É um SER, límpido de qualquer influência. E no fundo eu só desejo saber: Quem sou eu para você? Quem você é para mim? Quem são os outros?

Ninguém, afirmo com toda certeza n-i-n-g-u-é-m é, ou sabe o que é. E tudo isso, sou eu, neste fragmento de tempo inventado e liberto.

Eu por tudo que passei, uso as palavras num modo complexo. Como o espartilho das noivas atrasadas para a hora de serem desvendadas. Tornando-se quase que intocável, quando o verdadeiro desejo é que se apoderem delas.

No fundo, escrever num dia como esse, é construir um caminho mais fácil para chegar onde devo, quero e preciso. Colocado ou encaixado a força, no consciente das coisas, no estado de libertação de algo que é o que realmente pode ser. Nada, sem TÍTULO.

Faço das amarras libertas neste texto, uma corda que me puxa de encontro ao mais completo caos do eu para consigo mesmo, ou à você.

Eu sei que para mim, nada é tão fácil -brincadeira dos Deuses que regem a vida por onde passo inconstante- e mesmo assim eu subo, como que a beira de um colapso. Substrato do último domínio de natureza viva que há em mim.

Contudo, agora, e somente agora, os sentimentos tremem nas minhas mãos e passeiam pelo meu corpo, no intuito fracassado de uma liberdade anti-natureza.

E eu dito irremediavelmente ao futuro que fuja de mim. Por que contigo, ou todos que encontrei até hoje, não há a menor possibilidade além do findável HOJE, fagulha do encontro primeiro que não rege os meus dias.

E como quase tudo acaba, eu paro por aqui para recompôr o pouco de insanidade e devaneio que faz a vida girar. E em meio a meus estardalhaços frívolos, eu só queria que soubesse que o quê mais desejo está nas entrelinhas, como quase tudo que tento ter de você, dos outros ou qualquer um que vier por mim religar a esperança insana das inexistências.

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: