O dia em que roubaram um dos meus sonhos…

14 06 2010

Leva-se tempo para construir e realizar um sonho, mas apenas cinco minutos para que alguém te leve ou te tire dele.

A manhã de inverno precipitado aconteceu sem que eu percebesse. E a madrugada trêmula, neste país que respira e come copa do mundo, levou meu sono como se eu nem o tivesse. O que me resta agora são olhos pregados, inchados, perplexos. Pois sem que eu pudesse revidar, ou mesmo argumentar – como faço tão bem em minha vida cotidiana – levaram a mão armada um dos meus sonhos.  

E neste agora que se faz presente, me resta o insosso, o inerte e o incapaz. Tudo porque é incrível como que em questão de segundos, minutos – que antes árduos de trabalho honesto e suado – te roubam sem pestanejar aquilo que você com sacrificio se propõe a pagar. 

E foi assim que na noite do dia treze de junho do ano mais futebolístico para minha espécie, me assaltaram em frente a casa de uma amiga, num bairro vizinho.

Sem querer ou precisar, levei cano na cabeça e sem paciência me pediram pra saltar. Afinal quem se importa de verdade com o que aconteceria nas ruas mais calmas de um bairro periférico em plena véspera de jogo do Brasil? Ninguém. E para quem duvidar, por favor, dirija-se a uma delegacia mais próxima, ou chame uma viatura as 22:00h, no incrível país da Amazônia.

Não sei como concluir, pois estou preso naquele instante, no dia fatídico em que tiraram das entranhas um dos meus sonhos. E de verdade, creio que será dificil me libertar daqueles cinco minutos.  E no fundo  da minha alma vazia, eu sei que só preciso aceitar, como tantos outros brasileiros, mais uma estapafúrdia ação da bandidagem, que encobre e mascara a honestidade do meu povo sofrido. 
 
Afinal neste país de grandes craques, os assuntos importantes mesmo, sempre se acabam, assim como a água, as preces, os vigarios e porque não dizer, a minha hipocresia em acreditar que um dia este país será mais justo?

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Pensamento solto

8 06 2010

Há um desespero em minh´alma. A olhos nús pode ser um vôo de libertação. Mas à mim não passa de um grito incompreendido de ave de rapina. É um amontoado de letras numa faringe agúda e cheia de vida.

Sou ou somos um segredo desvendado? Não sei. Eu que o tempo todo, desde rebento me incomodei com estas frepinhas de pré moldura, nunca me conformei com as conclusões corriqueiras. E é por isso que hoje faço questão de explicar-lhe, e por favor se faça atento, pois esta talvez esta seja a maior constatação dentro da sua passagem por aqui.

As conclusões todas, sem excessão, sempre falham. Porquê depois delas só nos resta a dúvida. Elas sentenciam o fim baseadas em pré começos mal sucedidos. São sórdidas, mesquinhas e incompletas. Afinal depois de concluir algo o que nos resta? O beijo na boca do morto? Ou o temeroso e deslocado encontro do eu para consigo mesmo?

No fundo, conclusões só geram perguntas. E ainda que não haja nada além da minha insanidade profana e perdida, somada a uma imagem sua distorcida dos meus votos de casamento, eu necessito saber em letras garrafais, na verdade, eu preciso; Quem te disse que quero casar? Quem? De onde vieram essas conclusões tão suadas? Me me soam tão íntimo este final, para um primeiro encontro precipitado. Me diga por que fresta ou olhos meus você viu este desejo, para tão cerne sentenciar me a isso?

Disesse que não queria, que não sentia nada em nenhum dos beijos meus. Eu me contatentaria satisfeito e dormiria tão mais tranquilho. Não me restaria a sensação estapafúrdia de que me leu apenas nos paragrafos compasados que apresento a humanidade. Nem que usou suas repostas prontas para esclarecer à mim, tendo como base uma simples troca de salivas.

Por isso hoje saio de ser para você ou qualquer um, mera constatação – tão fácil, tão hibrida – sofrida e pobre. Para me absorver do nada que vêm de encontro a mim. Absolutamente inconcluso, inacabado e sem fim. 

Pois no fundo não sabes, eu me purifico no nada, e só o nada advém a olhos nú dos que vêem à mim.