Desconexo, nada de mim…

25 11 2010

Claustrofobia - Fonte Google Imagens - Autor Desconhecido

Hoje eu não comi. Na verdade nem levantei da cama, estou de pijamas e nem to sentindo o abafado que dizem que vêm lá de fora. No meu quarto faz frio, faz calor, faz o tempo que for. Nem me importo. Não ouço música, relógios ou pios na rua. Tudo está completamente deserto, e aqui só há eu e minha cama. Acredito que nem alma mais eu tenha. Calço o absoluto nada, e choro, transpiro, me despedaço múltiplas vezes tentando acabar com o que sobrou de mim. Choro como quem se liberta e ao mesmo tempo se prende. Minhas lágrimas existem por que você não está aqui, e a minha consciência dói, porque no fundo você nunca esteve.

Estou deprimido, sujo, caquético e inútil para qualquer proposta. E não me venham com a lorota de que se desvencilhar de um amor é fácil. A prova disso, neste momento, sou eu de braços abertos pregados nesta cruz em que me coloquei.

O pensamento corre em sua direção, mas ainda estou aqui, estático, sem sal, sem vida sem você. E é engraçado tudo isso, afinal o que eu sinto por você?  Quem é você? Por que apareceu na minha vida? Eu não te pedi que me olhasse, muito menos que viesse atrás de mim. Eu não te conhecia e a probabilidade de que isso houvesse acontecido em outras circunstâncias que não a nossa, eram totalmente nulas. E mesmo com as nossas circunstâncias você não precisava ter demonstrado interesse. Porque veio até mim? Onde foi que eu lhe interessei? E o que foi que eu te fiz, para você me fazer sofrer assim? Não sei. E a cegueira de não saber me mata lentamente. Corrói o que sobrou, e me deixa aqui parado sem saber o que fazer.

Eu sei que o que todos dizem está certo; é melhor não fazer nada. Você não merece nem uma agulha de mim.Mas e eu? Mereço o que acontece com o que sobrou deste zumbi em que me tornei? Não, eu não quero me compadecer em mim. Nem solicito a sua piedade. No fundo só quero a minha própria piedade, e a minha própria vontade de ressurreição. Mas as minhas tentativas são coloridas pelos sorrisos amarelos, e tudo se torna inútil porquê no fundo eu não tenho piedade de mim. Eu ainda rogo orações em seu nome, em versos coloquiais e sentimentais pedindo que me procure. Não peço que volte-  mesmo querendo que você volte atrás – eu só peço a Deus que lhe abra a cabeça e que você enxergue o que você faz com as pessoas. Sim, eu suplico a sua piedade, a sua absolvição e a redenção diante dos seus pecados. Mas Deus não me escuta, não me responde e no fundo eu acho o meu problema um lixo diante da grandeza desse mundo. E mesmo assim, procuro e peço, suplico, mesmo não sendo merecedor de um pouco da compaixão que inexiste em seu coração.  

Contudo o que vivo hoje é uma busca sem fim, uma busca insana e sem nexo. Eu não quero você e ainda quero. Eu na verdade quero a mim de volta, devolva por favor, eu imploro. Mesmo que hoje eu também  deseje outra cara, outro nome, outra vontade de viver. Mas o que você puder me devolver já está bom, e o que não estiver oco e dissecado eu receberei de volta com o maior prazer. Só espero que tenha sobrado um pouco do meu amor próprio, que já era quase nada, mas ainda existia em mim. Mas enfim, vai ver você não me devolverá nada, vai ver deu a outro alguém e fez uso não deixando sobrar nada, nadinha de mim.