Episódio

20 02 2011

Pablo Picasso

Eu te falei. Talvez como eu nunca tivesse dito a alguém. Você ouviu e não soube o que responder. Está certo, na sua pele eu também não saberia. E juro que não esperava uma reação diferente. Afinal eu sei e todos sabem: não aconteceu!

Contudo, me desculpe o desabafo, e entenda que este foi o meu jeito de aliviar alguma coisa por aqui, o quê de certa maneira até que funcionou. Por isso e por tantos outros motivos, não faça nada, guarde ou jogue fora, use ou desuse isso…contra ou a seu favor. Para alguns souvenires assim dados de graça, aconselho guardá-los.
Não se preocupe comigo, o que me compõe de certa maneira é mesmo uma grande parcela do improvável. E por isso fiquemos assim, eu dizendo que te amo, e você mais uma vez dedicando, o silêncio que tanto sobra por aí… Tudo bem, eu sei, eles sabem… O tempo dirá se foi, ou se será melhor assim.




Sumida, assumida…

1 02 2011
Campo de Trigos com Corvos

Campo de Trigos com Corvos – Van Gogh

Vou dar uma sumida assumida. Por enquanto, não se preocupe, será uma volta, uma curva um vão, alguns dias no calendário e a tentativa de que as horas passem mais rápido neste quarto solitário que é o meu coração. Não sei se vai durar, persistir, e se vou conseguir me livrar do que eu sinto por você, mas pretendo me controlar para dissipar o estado “líquido-gasoso” que é não ter você assim, do jeito que quero.

Sumirei não por não te querer, mas sim porque ainda te quero demais e o caminho a ser trilhado daqui pra frente, é que eu me torne derradeiramente chato. Não vou dizer para que não me ligue, me mande e-mail ou tente qualquer forma de contato (Se assim o fizer agradecerei, e mesmo que contido num choro baixinho meu peito se dará por satisfeito). Mas neste exato, e curto espaço de tempo fingirei – isso mesmo, FINGIREI – desinteresse total pela sua vida, seus sonhos, suas coisas ou seu futuro. Por que no fundo acho que a ausência que eu lhe dedicarei, fará mais por nós dois do que a minha presença inconveniente.

Desaparecerei do mapa, por uns tempos, uns dias, um mês. Tudo por que não sei me comportar na sua presença, e o vazio que a sua ausência como namorado me causa já me é preenchedor demais para que eu queira algo mais. Eu suplico o seu entendimento, não encare o meu sumiço como desamor. Há até neste pequenino ato, um amor profundo que eu ainda lhe dedico e que você não quer, em nome de algo que nem você e nem eu sabemos bem o que é. E a verdade é que hoje não consigo processar sua amizade, pois não foi assim que eu o conheci. Não somos amigos ainda, e não me pergunte se assim seremos um dia, pois eu não sei se é bem assim que se constrói uma amizade.

Enfim, sumo para salvar exclusivamente a mim e por que ainda gosto muito de você. Desapareço porque já não tenho mais sanidade para lidar com esta situação que você me impôs e que de certa maneira provoquei. Sumo por que as lembranças que eu tenho do seu corpo, seu beijo, serão assim, para sempre doces e não amargas como tem se tornado ultimamente, já que eu não as tenho aqui.