Aos vinte e cinco

3 05 2011

Aos vinte e cinco vivi um turbilhão de sensações, fui o dono da situação e refém dela. Fui feliz, quebrei a cara, abri meu coração, minha casa, minha vida. Deixei um monte de gente entrar, aprendi com o novo, adquiri  uma nova cicatriz, em alguns momentos deixei a tristeza tomar conta de cada poro em mim buscando alegria. Mas afinal o que seria da vida, se tudo fosse perfeitinho?  Sonhei, perdi, joguei, mas estou vivo.  Sobretudo aos vinte e cinco fui alegre, fui triste. E entendi definitvamente, que tudo o que se vive é mesmo falta de definição. Mas afinal, qual o ser humano que não passa por este turbilhão emocional aos vinte e poucos? …

 
Há um ano atrás, quando eu fazia vinte e cinco anos,  apagando as velinhas de um bolo improvisado, entre outros desejos, eu pedi para conseguir amar alguém, me apaixonar e etc… Era meio que um grito de alerta do meu eu para consigo mesmo, no intuito de saber se eu ainda estava vivo. Afinal amar, apaixonar-se é um dos poucos sentimentos que ainda nos ressignifica como seres humanos. Eu só não notei que neste pedido que eu fiz, faltava uma outra parte, que infelizmente acabei me esquecendo de desejar: ser amado também.

Sentimentalmente posso dizer de boca cheia que no último ano eu realmente me apaixonei e amei demais. Os sentimentos, sem dúvida, permearam quase todos os trezentos e sessenta e cinco dias do meu ano. E eu tentei de verdade, fiz tudo o que era possível. Beijei muito, me fiz homem, procurei e achei. Fui dono de uma situação e refém dela, me doei, abri meu coração, minha casa, minha vida, meus sonhos, meu carro, meu amigos, tudo… Sonhei, perdi, joguei, me magoei, me atestei insano, sofri, chorei e fui feliz, muito feliz. É da vida esse vai e vem, é da vida ser enrredo em secretas composições, e é do coração nem sempre fazer as escolhas mais apropriadas. Por isso aos vinte e cinco anos aprendi que o amor, este sentimento tão nobre e a paixão este sentimento tão gostoso, podem realmente construir ou destruir você, em questão de segundos. Amar e não ser amado não é uma tarefa fácil, se apaixonar e não ser correspondido muito menos. Tudo bem, este aprendizado agora eu já adquiri e sei que o maior segredo está na escolha, que precisa primeiramente ser diluida pela cabeça e não diretamente pelo coração. É preciso se questionar várias vezes sobre o que se sente, e acho que este foi um dos maiores erros que cometi.

Contudo aos vinte cinco me aconteceu de tudo, fui assaltado, levaram meu carro, perdi meu emprego, meus amigos quase todos casaram, ou se mudaram para longe de mim. No entanto, me movimentei mais, engordei e emagreci, bebi pra esquecer, bebi porquê estava feliz, voltei aos esportes, conheci novos lugares, novas pessoas, frequentei a casa de pessoas queridas, briguei de porrada, brinquei com fogo e por pouco não virei cinzas. Parece pesaroso, mas não é. Eu não quero a dó de mim. Acredito em tudo como processo de evolução. E neste ano o que aconteceu diferente dos anteriores é que eu me joguei na vida, sai da linha tênue que era a minha existência e acabei com a minha zona de conforto para provar o gosto doce e o amargo que está presente na lida do dia a dia. Não me arrependo de nada, tudo bem, de algumas coisas sim. Mas nem todo o erro serve ao desperdício, ou precisa ser perdido no parco dos dias. Afinal as cicatrizes fazem parte, e a lembrança do que as causou me fizeram entender uma série de coisas sobre mim. E é por estas e outras, que hoje me reconheço mais do que aos vinte, e me quero assim.

Para os vinte e seis, desejo em premissa um novo e bom emprego. Quero os novos amigos, quero os meus amigos antigos mais perto de mim, mesmo que fisicamente isso não seja possível. Desejo viagens, sonhos e realidades que eu sei que posso construir. Eu quero a vida, seu enrredo composição, com seus encontros e despedidas, quero minha família no ninho, e sinceramente quero focar no que diz respeito à mim. Dinheiro, saúde e sucesso são as palavras que certamente definirão este novo ciclo. Quero a poesia de volta, a arte, as nuances que são construir cada dia. Desejo reconstruir a melhor parte de mim – que eu distribui aos vinte e cinco – para fazer de mim um novo homem/menino sonhador e feliz. Não quero a tristeza, não quero o amor deste jeito que eu vivi. Quero a paz de um ser humano errante e intranquilo. Quero as questões, as respostas e não mais os tons de gris. E como dizem por aí, sei que a gente não pode mudar o começo, mas se a gente quiser dá pra mudar o final. E eu quero chegar no final destes próximos  e maravilhosos trezentos e sessenta e cinco dias, vivendo bem, com fé em Deus, e sendo plenamente professor e aprendiz da minha própria vida.  Com novos erros e acertos, será assim que irei me construir.

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2 responses

3 05 2011
Emanuel

oohhhh meu querido amigo, tenho-te acompanhado, meio que ao longe, mas ando a par e próximo de ti, mais do que imaginas, tento perceber deste lado se te estás a aguentar, no momento em que te faltar a força das pernas para te erguerem, sei que é nessa hora que devo abrir meus braços e mostrar-me onde realmente estou, do teu lado!

É como tu dizes, tens aprendido, é o que desde vida levamos, a aprendizagem e as memórias…os 25 foram muito bons, amaste tanto, independentemente da não correspondência, TU AMASTE!! Foste mais alto, foste mais Homem, estiveste a tocar o divino! Hoje és mais, hoje és melhor! E eu tenho muito muito orgulho em ti e uma enorme honra por te ter na minha vida!

Muitas felicidades, hoje e sempre!
Estou contigo! Posso não falar, não me fazer ver, não me fazer sentir…mas estou ctgo!

3 05 2011
marcosvieiras

Oh meu amigo! Eu te sinto aqui do meu lado… Obrigado pelas palavras, pelas vibrações. É isso aí amar não é mesmo uma tarefa fácil, mas é digno dos que são realmente seres humanos, não é verdade?
Um grande abraço, estou de cá, mas estou aí também!
Beijos na sua alma.

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