Pequenos passos

8 02 2012

 

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Acho tão limitrofe entender as coisas somente pela aparência com que se demonstram. Entender é mais profundo, envolve a idéia, o cheiro, o gosto que tem para cada um. Entender é mais do que descrever. Entender é o subjetivo da coisa (20/01/2011).

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A construção depende tão somente da desconstrução. É preciso olhar para si e entender depois de desmontado quais peças que ainda se encaixam, quais fazem a diferença, quais são indispensáveis e quais devemos nos desfazer porquê simplesmente não fazem mais sua engrenagem rodar. Viver é portanto ser engenhoca ambulante, pronta ao desmonte quando necessário. E a nossa única certeza é a possibilidade de se chegar a uma nova e sólida construção de si mesmo quando retiramos da nossa frente alguns parafusos que não fazem mais sentido (30/01/2012).

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Eu sou uma daquelas pessoas que não sabem lidar com o meio termo. Sempre gostei, adorei, ou detestei com todo furor. A minha indiferença está implícita no não conhecimento e não no gostar ou desgostar.
Apesar de o Outono ser a minha estação preferida eu não gosto desta ausência meio mole, meio amor de madrinha, meio amor de prima, tia que é estar neste meio amor, meio paixão, ou meio acontecimento. Portanto ou entra em contato profundamente ou não entra (01/02/2012).

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Você sempre estará lá, eu sempre estarei aqui. Desculpe mas não posso mais procurar o caminho pra tentar te encontrar. Caminhos opostos, mão única, direção proibida. Eu estarei aqui e você lá, sempre lá, sempre longe, sempre frio, sempre lindo, sempre meu maior amor. E afinal o que podemos fazer? Seguir.
Eu na minha direção e você na sua, sempre sua, sempre linda, sempre conquistada a demérito daquilo que no fundo você não deseja. E eu? Bem daqui onde estou, de onde já não posso voltar, estarei lá, estarei aqui, olhando, querendo, cuidando e te mandando luz, e paz. E é assim que o amor é, é assim que ele se desfaz, é assim que ele constrói (ou corroe?) o que a gente, num destes verões arredios fizemos:juntos, suados, felizes, ingênuos e imperfeitos. E o que importa por fim, é que nos fizemos felizes. Mesmo que eu daqui e você sempre de lá, de longe, me admirando, não me querendo, mas sendo sempre importante em mim (06/02/2012).

Porque um dia eu irei lembrar de cada mínimo passo, de cada mínima guinada em direção a mim mesmo.

 

 

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9 responses

8 02 2012
Emanuel

ler-te é tão bom…não me canso de o dizer.

8 02 2012
marcosvieiras

Oh meu amigo! Obrigado.Sinto tanta falta do Bolachinhas, pois era uma forma de sabermos como cada um estava em sua essência. Afinal nossas palavras são a essência pura de nós mesmos.
Beijos no seu coração!!

8 02 2012
Thais Cinotti

Eu simplesmente fiquei com vontade de copiar todos os trechos… Lindos. Incríveis. Completamente verdadeiros.

9 02 2012
marcosvieiras

Thais, obrigado pelas palavras! Pode copiar, usar para introduzir seus maravilhosos textos, eu iria adorar!! BjO gde!

8 02 2012
Luiza Maciel Nogueira

ei, dizem que amores impossíveis são mais interessantes que os reais, pois nunca tem um fim, não dá pra sentir chulé, pum ou aroto, não dá pra discutir a relação nem ao menos ouvir as reclamações do outro…permanecem sempre com aquela coisa “se fosse diferente eu seria talvez mais feliz”. uma armadilha? um certo tipo de esperança ou mais um motivo para ser infeliz? não sei, não sei. pode ser uma escolha? então façamos uma escolha consciente.

beijos

9 02 2012
marcosvieiras

Sem palavras Lú (posso chamar assim?), de fato é preciso estar consciente de nossas escolhas. Eu não aceito mais sofrer, mas aceito amar amores impossíveis. Na minha concepção, todas estas histórias de certa maneira fazem parte da edificação da gente. O importante é estar liberto dentro de si mesmo para entender-se, reconhecer-se quando uma história não tem mais por onde vingar.

Beijos

10 02 2012
Andressa Lima

Sabe o que esse seu post me faz lembrar? Aqueles momentos em que a gente tem um estalo e algo surge e surpreende a gente com o que traz consigo. As letras parecem formar idéias nossas que nunca descobrimos como saem de dentro da gente e, mesmo assim, dizem muita coisa que a gente não lembra bem onde e como aprendeu.
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Gostei muito do seu blog. Estou seguindo, estou amando, estou lendo, estou curtindo Etc e tal, rs. Parabéns de verdade, seus textos são muito bons mesmo.

12 02 2012
Marcos Vieiras

Andressa, obrigadíssimo pelas palavras. Muito bom saber que alguém nos lê e entende que as melhores coisas nós aprendemos sem saber bem onde e as idéias (ou construção de si) surgem assim mesmo, entre palavras, linhas e entrelinhas.
Beijos

24 02 2012
Luiza Maciel Nogueira

Pode me chamar do que quiser anjo. Beijo.

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