Por que solteiro?

2 07 2012

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Entre política, poesia, compras e uma prosa trivial lá estava ela, a suntuosa, simples e banal pergunta que não quer calar: Porque você está solteiro, hein? Obviamente lançar mão de um “Melhor sozinho do que mal acompanhado” cabia como resposta a esta pergunta dirigida à mim com tanta veemência e indignidade, ou mesmo, um “Estou focado no trabalho e não tenho tempo para relacionamentos” satisfaria a curiosidade alheia. Contudo eu preferi me calar, engolir seco, olhar ao redor e balbuciar com insegurança: – Não sei.  E  juro, é a mais pura verdade.

Pensando sobre o assunto, tentei colocar a culpa em Deus, no destino, no além, nas cartomantes que eu nunca visitei e que me assegurariam certamente um amor para daqui a tanto tempo.Mas é claro que esta simples transferência não me coube. Acreditar que o ocultismo estava conspirando maquiavelicamente contra mim era demais para o meu senso de realidade. E então me impliquei de mim e comecei a me questionar, afinal não saber a resposta de uma pergunta tão simples e concreta para um taurino como eu, é quase que inaceitável.

Mas e então, por que eu estou solteiro? Resposta número um, eu não encontrei ninguém que também me quisesse e me fizesse perder a cabeça a ponto de aceitar um relacionamento apenas para renunciar a solidão, desconsiderando o resto, o entorno, o encaixe das coisas cotidianas. Sempre acreditei que nAMORo tem haver com a convivência quase que diária. Resposta número dois, eu não tenho medo da solidão, já a aceitei por tanto tempo e confesso que até chega ser agradável não ter que dar satisfações, depender ou co-depender de alguém para me divertir. Resposta número três, as duas respostas anteriores são parciais inverdades. Apesar das pessoas acharem que estar sozinho é uma opção, não é bem assim na prática.

De fato,  sou exigente. Meu amado precisa chamar a atenção dos meus olhos – mesmo que o restante do mundo não veja beleza alguma – precisa saber falar corretamente e principalmente necessita ter um($) sobrando para pagar sua própria conta. Numa boa? Cansei de pagar o lanche, o motel, a gasolina e tudo mais em nome de uma paixão menos durável que carnaval. Será que estou pedindo muito?

Não, não sou materialista, e antes que digam que eu só espero que a pessoa pague seu próprio consumo, acreditem, eu desejo primeiramente que ela seja sensível na medida, admirável em certos pontos, detestável em outros, notável por poucos feitos, e que discuta comigo pelos meus erros e acertos em prol da nossa evolução. Em premissa, este alguém que ainda não encontrei, deve errar e acertar diversas vezes. É preciso que seja carinhoso – mas não em demasia –  que saiba me levar mesmo quando eu não quero ir de uma forma que eu nem perceba que realmente não queria estar lá ou ali. Sobretudo  meu amor precisa ter senso de realidade, e carece ter passado da fase namoro sessão da tarde e malhação para desbancar a minha tão confortável e inoportuna situação de solteirice. E esta talvez seja a minha complexa resposta para uma pergunta tão simples. Uma resposta confortável com coesão e coerência de acordo com a projeção do que quero, pois assim fica mais fácil sanar os porquês.

Contudo, não sou categórico em todas as exigências, sou capaz de me apaixonar por um marciano que queira falar das estrelas e da lua, de plutão e astrologia, desde que também fale de Garcia Marques, Cazuza e economia atrelado a um saco de pipoca dos mais baratos, num banco público junto com um desejo insuperável pela poesia tesa da cama quando assim ela se fizesse. E concluo que no fundo estou sozinho hoje, por que sempre quis um amor que me coubesse nas arestas e não em igualdade como os casais de hoje em dia. E com uma pitada de realidade cabível aos meus vinte e sete a verdade é que sem o mínimo do máximo que eu ofereço não vale renunciar a liberdade da solidão por um amor Sandy e Junior que hoje definitivamente não me apetece.

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