Para Maysas e Vanderléias

30 12 2017

Artista: Tinho – 2013 – Two Sisters . óleo sem tela. Image by Google. Contato do artista: @tinho23sp

Entre Maysas, Clarices, Jupiters, Silvas e Vanderléias, I’m here. Pulmões danados as cinco da tarde, existindo entre cigarros e olhos molhados mas eu estou aqui. Não estou certo se estou aqui pra escrever pra mim ou pra você. Não sei se quero me lamentar, te agradecer, ou mesmo, se escrevo apenas pra dizer que te amo e depois ficar achando que você não acredita. Não sei bem porque estou aqui, eu só sei que estoy aqui, je suis ici, I´m fucking here, again.  Tenho um free em um das mãos, uma coca cola na outra. Estou aqui e ponto. Estou diante de você, olhando na pupila do seu olho, viajando no azul do seu azul, respirando a sua respiração, sentindo o seu cheiro e desejando com os meus olhos um sorriso teu e uma promessa de recomeço.

Sabe, eu adoraria que esta carta fosse alegre, ou mesmo, para te dar ou desejar boas notícias, mas eu choro, e sei que você sabe disso. No fundo, eu gosto e não gosto que você saiba. Tá vendo? Eu não sou um cara tão legal assim. No fundo eu gosto de saber que você sabe da dor aqui. Entende, eu não sou perfeito. Eu não sei se você se lembra mas eu nunca fiquei bem com a perfeição que você me dava. Eu não te achava perfeito na maioria das vezes, eu te achava possível. Um possível bem generoso. Um possivel daqueles que a gente quer pra sempre, sabe? Bem, tá certo que tem muito ideal meu aí  – my thing. Coisas de Netuno em Peixes, é tenso assim. Veja bem, eu não quero que você se foda, mas não serei destes que em “ágape absoluto”, vai querer acompanhar a sua vida feliz, ao lado do seu novo futuro esposo, aquele político diplomata da Normandia. Sou humano e fodido demais pra aceitar uma destas. E confesso que há até um certo charme em pensar da maneira como eu penso, um dia te explico.

Eu quero que você que você seja feliz e ponto, não quero ver fotinhos dos seus cachorrinhos e plantinhas no whatsapp. Tsc, tsc, não vou querer olhar a sua felicidade.  Não quero constatar a sua felicidade enquanto a minha nunca for tão certa assim. Egoísta, humano, errante e  vivo este sou eu também, um eu que  você se recusou a ver. Sendo sincero, tenho problemas em perder, e não quero compartilhar este tipo de felicidade contigo.  Calma, é claro que vou encontrar outras pessoas quando eu eventualmente quiser, mas nenhuma delas vai ser você. Nenhuma delas me provocará as mesmas sensações e os sentimentos que você provocou. Serão novas experiências, novas dores, novos amores. Mas de verdade? O que eu queria mesmo era que alguém me contasse como é que a gente faz pra passar do estágio da paixão, amor platônico, ciúme e etc… para a fase em que a gente constrói algo duradouro, e aceita que nem um e nem outro é perfeito mas que somos a melhor opção para se passar o resto da vida. Eu posso estar falando merda. desculpa aê.

Nestes dias de um verão abafado e cinzento, tenho me perguntado bastante sobre como você está reagindo. E então depois de uma manha serena, uma tarde complicada e uma noite tranquila, eu comecei a me questionar e rascunhar as seguintes perguntas: Você ainda se pergunta sobre mim? Digo isso, porque tá na cara que você também não tá bem com o final da história. Mas e então? Me conta, como é  que você faz pra mudar de pensamento quando a direção está apontada pra mim? Como você fica melhor? Como você sabe que não está mentindo para si mesmo? É só dar um passo pra atrás e está tudo resolvido? Me conta como você faz, please. Quem sabe não vai me ajudar tentar os teus métodos aqui.

Eu estou cansado cara, e eu sei que você também está. Procurei a definição de engano no dicionário, não encontrei nada bonito pra colocar aqui e linkar com algo que eu realmente queira dizer, mas me pus a perguntar se hoje pra você, meu sobrenome é somente engano e se algum dia eu deixei de ser a suspeita dele.

Eu verdadeiramente queria te escrever coisas motivadoras e permanentes. Seria um modo de permanecer aí com você de algum modo, seria um antídoto para o caso da minha imagem começar a desaparecer na sua mente. Mas sabe, no fundo, se eu tivesse três desejos todos seriam gastos em apagar aquela tarde onde você decidiu que me via somente como amigo. Estou perdido, e acho que tenho um problema com o apego da idéia de você. Sabe, no fundo eu queria ter feito tanta coisa contigo, eu gostaria de ter te proporcionado mais bons do que maus momentos. Eu queria ter ido contigo pro Rio. Você não sabia, mas eu já tinha reservado um final de semana pra nós. Enfim, eu queria ter jantado fora com você, conhecer e te apresentar os bares alternativos da Vila Madalena. Eu queria ter tentado mais. Eu queria. E eu sei que de certo modo eu não segurei a onda depois de aceitar que você não me queria do mesmo jeito que eu te queria. Estávamos os dois cansados após este um ano. Mas vem cá, você não acha que poderíamos ter tentado mais?

Enfim, permaneço aqui sem um discurso permanente e motivador, muito menos interessante.  Vai passar, eu sei. Mas eu apenas estou aqui, diante de você, olhando na pupila do seu olho, viajando no azul do seu azul, respirando a sua respiração, sentindo o seu cheiro e desejando com os meus olhos um sorriso teu.

 

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Para a Beleza Interna

28 07 2010

Querida, há quanto tempo não ouço falar de você! Vai tudo bem? 

Hoje assim sem mais nem menos, assistindo um besteirol televisivo, daqueles bem engordativos, que a gente quase não presta atenção do que se trata, ouvi seu nome. No começo desconfiei, e me perguntei se falavam mesmo de você. Liguei o “sentido aranha” e pasmem repetiram seu lindo, complexo e comprido nome. Até cutuquei minha cachorra (que me acompanha em qualquer programa da telinha) no intuito lisonjeado de dizer que eu te conhecia. É, eu te conhecia! Atento ao desenrolar do diálogo, afim de descobrir porquê preteriam seu nome, descobri que nada falavam de você em específico. Mesmo assim aguardei, afinal você é uma das poucas amigas “meio –famosas” que tenho, e das quais sempre espero noticias. E mesmo sabendo que você não é a Lady Gaga, ou mesmo, uma das Paniquetes, Caldeiretes ou antigas Vedetes, que hoje fazem pornô, para que te lembrassem assim com tanto esmero e paciência de explicar-lhe aguardei alguma informação, nem que fosse pra saber se você estava envolvida com o PCC ou qualquer acordo de Paz entre o Iraque e o Islã. Até pensei que anunciariam sua participação num ou outro programa matutino, que mistura culinária com auto-juda. Mas nada mais falaram de você. Usaram seu nome pra quase nada, foi como copo descartável, necessário  para um determinado fim, mas no fundo totalmente dispensável ao termos um copo mais corpulento e de vidro. Mas se eu bem te conheço, você não deve ter dado a mínima para o que falaram ou deixaram de falar de você. No fundo, nunca ligou muito pra essas coisas, não é verdade? E agora disso tudo eu tiro o lado bom, lembrei de você. E por isso te escrevo.

Gostaria de dizer-te tantas coisas, mas acima de tudo agradecer-te por ter sido minha parceira em tantos goles de auto-estima no momento em que mais precisei. Por exemplo, sua presença foi de suma importância na minha adolescência, mesmo que servisse apenas pra justificar os óculos brega e o gosto refinado por música francesa. É verdade, vivi tantas coisas boas acreditando em você, e nos papos longos que tivemos pelo ICQ que nem sei como retribuir. E por isso esta carta tem também o intuito de me desculpar, sei que te abandonei depois do colégio, mas por favor não me culpe totalmente. Sabe como é jovem. Fui na maré de todo mundo e acabei me esquecendo um pouquinho da sua importância. Mas compreenda na faculdade ninguém falava de você, na balada também não, e no trabalho então acho que nunca ouvi o seu nome. E como segui com a vida, entre algumas academias e altas doses de salão de beleza, acabei por deixar de ligar, e confesso que até me esqueci – só um poquinho- de você. Sei que vai de encontro a tudo que me ensinou. Mas descobri que é feio ser feio. E mais do que isso, colocando as modéstias a parte, a gente tem que ser pelo menos arrumadinho. No entanto, gostaria que soubesse que nunca usei seu seu santo nome em vão. Guardei a busca de você e seus ensinamentos só pra mim. E só por isso beijei tantos no intuito de descobrir se calhava de achar as duas coisas – externa e interna beleza – numa mesma pessoa. Falhei miseravelmente, claro! No entanto não desistirei. Apesar de você me ensinar que de verdade não dá para ser os dois, e muito menos ser os dois ao mesmo tempo, num mesmo lugar ou numa mesma hora. Eu ainda acredito que o mundo tem salvação!

Sem mais, desejo que reaja no coração do ser humano. Sei que sua popularidade anda caindo, mas não quero ver isso acontecer de vez. Por isso mude de agente, produtora ou sei lá mais o quê. Espero ver entre peitos e bundas de silicone, nem que seja um pouquinho de você. Por isso, reapareça de vez em quando, nem que seja pra saudar o coração de alguém que diz que te procura, mas no fundo está procurando a outra também. Quem sabe a gente não vence eles pelo cansaço? De duas uma, ou povo para de falar de você em vão, ou passam a realmente te entender.   

Um grande beijo,

Marcos  Vieira