Tempo, tempo…

3 03 2012

Estar bem é uma questão de tempo. Tudo passa. Tudo vira risada na boca maldita do inconsciente que nos permeia. Há em tudo, ou quase tudo, o doce e o amargo da experiência. Mas a vida é mesmo fase, passagem, complementares sabores ou dissonantes sapiências. Contudo nada precisa ser frágil, barato, escuso ou mau dito. E ao contrário do que dizem, estar bem não tem nada haver com o forte, com o outro, com o caro ou bem dito. Estar bem é uma fase , assim como estar mal, assim como estar mais ou menos consciente de si. E na verdade com o passar do tempo você aprende que tudo. ou quase tudo  é uma questão de ponteiros. Tudo obra do senhor mestre de horas: Tempo! Tempo.





Pequenos passos

8 02 2012

 

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Acho tão limitrofe entender as coisas somente pela aparência com que se demonstram. Entender é mais profundo, envolve a idéia, o cheiro, o gosto que tem para cada um. Entender é mais do que descrever. Entender é o subjetivo da coisa (20/01/2011).

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A construção depende tão somente da desconstrução. É preciso olhar para si e entender depois de desmontado quais peças que ainda se encaixam, quais fazem a diferença, quais são indispensáveis e quais devemos nos desfazer porquê simplesmente não fazem mais sua engrenagem rodar. Viver é portanto ser engenhoca ambulante, pronta ao desmonte quando necessário. E a nossa única certeza é a possibilidade de se chegar a uma nova e sólida construção de si mesmo quando retiramos da nossa frente alguns parafusos que não fazem mais sentido (30/01/2012).

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Eu sou uma daquelas pessoas que não sabem lidar com o meio termo. Sempre gostei, adorei, ou detestei com todo furor. A minha indiferença está implícita no não conhecimento e não no gostar ou desgostar.
Apesar de o Outono ser a minha estação preferida eu não gosto desta ausência meio mole, meio amor de madrinha, meio amor de prima, tia que é estar neste meio amor, meio paixão, ou meio acontecimento. Portanto ou entra em contato profundamente ou não entra (01/02/2012).

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Você sempre estará lá, eu sempre estarei aqui. Desculpe mas não posso mais procurar o caminho pra tentar te encontrar. Caminhos opostos, mão única, direção proibida. Eu estarei aqui e você lá, sempre lá, sempre longe, sempre frio, sempre lindo, sempre meu maior amor. E afinal o que podemos fazer? Seguir.
Eu na minha direção e você na sua, sempre sua, sempre linda, sempre conquistada a demérito daquilo que no fundo você não deseja. E eu? Bem daqui onde estou, de onde já não posso voltar, estarei lá, estarei aqui, olhando, querendo, cuidando e te mandando luz, e paz. E é assim que o amor é, é assim que ele se desfaz, é assim que ele constrói (ou corroe?) o que a gente, num destes verões arredios fizemos:juntos, suados, felizes, ingênuos e imperfeitos. E o que importa por fim, é que nos fizemos felizes. Mesmo que eu daqui e você sempre de lá, de longe, me admirando, não me querendo, mas sendo sempre importante em mim (06/02/2012).

Porque um dia eu irei lembrar de cada mínimo passo, de cada mínima guinada em direção a mim mesmo.

 

 





Beija flor visceral

29 12 2011

Beija Flores- Luiza Maciel Nogueira

Não era pra eu ser o canalha, e não era pra você ser a vítima uníssona e solitária em uma alma encalacrada sobre suas experiências mal sucedidas. Não era pra você se apoiar em seu casamento-desamor e choramingar a minha suposta ausência. Nunca fui presença inteira, você não percebeu? Tsc tsc, não era para ser assim, não era!!

Era só para eu ser um fôlego, um vão, um doce verão, um beija flor. Era sobretudo pra você ser feliz. E era pra eu poder esquecer, era pra você respirar, pra você continuar vivendo o que você diz ser amor. Mas você fez tudo errado. Era para ser uma brincadeira gostosa, vulgarmente maliciosa, mas você foi meter um sentimento desgraçado entre mim, um e outro Marlboro, duas cervejas e um sexo meia boca. É uma bosta dizer o que te digo, mas devo aceitar que em partes fui eu o cafajeste que permitiu que fosse ser o que não era.

Desculpe, mas eu suplico, não devolva o desaforo. Não devolva porquê eu tô cansado demais até para me defender. Pra me expor, para te expor ou para fazer qualquer coisa. Mas confesse à você mesmo que no fundo você sabia que deveria ser assim. Não sabia? Coisas boas duram pouco, coisas mornas não dão liga. E só foi morno pra mim porquê meu coração não estava pré-disposto, e não houve safadeza o suficiente que me convencesse de que valia a pena. Pode não parecer mas acredite, foi mais amorzinho enfadonho do que qualquer outra coisa. E entenda,  eu já tenho alguém para dedicar esta parte pachorrenta e desinteressante de mim, e o que eu procurava era o que você aparentemente oferecia, era pra ser apenas um souvenir.

É difícil olhar no fundo dos olhos de alguém e dizer tudo isso que eu te disse, e ao mesmo tempo é tão fácil baby. Tem que ter coragem, eu admito, ou nem tanto assim. Na verdade é preciso ter curiosidade para viver o que vivemos assim sem pretensão, e como Deus me fez indagador de tudo, bobeou eu to provando. E você tava lá com a proposta indecente, e já que eu não valho nada, aceitei. Não eu não quero e nem pretendo o céu, no final de tudo eu já sei que vou sambar no inferno. Por isso eu suplico, me odeie. E estas palavras que eu te digo num quase domingo, num quase ano novo, é um prato cheio para que isso aconteça.

Você não entenderá e acho que nunca vai entender que sou uma presa fácil num momento difícil.Veja bem, senta aí e me ouve, eu- não- te – prometi- nada. Por isso, toma um copo d´água mas não se embriague com a ilusão do que eu pareço ser mas não sou. Olhe sem encantamento e você vai enxergar que eu não sou romântico, eu não sou sensível, eu não sou gostoso, eu não sou macio, eu não sou teimoso com aquilo que não quero. Eu nem mesmo sei trepar direito – falta de prática, falta de tática- eu não sei ser direto quando o negócio pra mim é só sexo. Desculpe este tardio “sinto muito do meu jeito”, este meu apelo, mas o fato é que não sei ser didático para algumas coisas. Por isso entenda sem sofrimento, e de uma vez por todas, eu não sou o que não era, eu não serei o que não sou. Diga a verdade para você mesmo,  você sabia que derradeiramente eu trairia o seu ideal.

E terminou porquê era pra ser passageiro. Por que se emoldurou num dia de chuva fina, numa banheira quente que se tornou balde de água fria. Porque houve a troca de um bagulho que nem você soube direito explicar. Então não chore, engula. Nós-não-temos-este-direito. Eu não te concedo a permissão de chorar sobre o meu corpo cansado. Chore por você, pela sua vida, pelas suas escolhas, seu mundo ou seu desamor (se é que é desamor). Mas não chore por mim . Eu não mereço esse mar, eu não mereço nem a mais fina melancolia de um beija-flor especial e sensível como você. E pense bem, olhe pra mim e olhe pra você (mas olhe com realidade, com razão, com circunstância) que enxergará além dos óculos cor de rosa que o meu jeito descolado quis te apresentar. E admita o que eu deixei claro: eu amo outro, eu sou de outro, a todo momento fui um tolo, mas não fui desleal com você. Só não me exponha pois por agora eu não poderia suportar o rojão, me falta culhão e ta aí mais uma das minhas cafajestadas. Tudo isso, porque foi o que não era pra ser, e de repente até deveria ter sido o que não era, e não foi.





Dos títulos e minha infância

29 12 2011

“Coisa de taurino tolo querendo demarcar território, resumindo as coisas para entender melhor e ruminar com mais rapidez o que envolve aquele ser humano, objeto, sentimento ou lugar diante de mim. Mania de infância, intrínseca a mim.”

Sempre criei títulos para as coisas. Era de mim desde rebento só começar uma enfadonha redação do pré, do colégio, se para ela eu tivesse um bom título. Me lembro que uma vez uma professora brigou comigo porque haviam se passado horas até que eu começasse a escrever uma linha, tudo isso porquê fiquei confabulando o título mais adequado para alguma coisa entre terceiro mundo e fome. E era quase toda vez do mesmo jeito, sem título, sem redação. Não é que a história já não estivesse pronta na minha cabeça, apenas não conseguia desenrolar os fatos se não houvesse para aquele contexto um bom e velho título.

Com o passar do tempo fui amadurecendo a importância e reconhecendo à que servem até mesmo os títulos mais estranhos: os nomes. Me lembro que na adolescência achava linda uma menina que se chamava Nilcelene. Ela não era bonita, encantadora, nem simpática, nada nela me apetecia de verdade. Me apaixonei por ela por conta do estranho título que a envolvia. Era como se aquele nome estivesse esperando uma história a ser contada por mim, e era isso que me encantava. Não durou, é claro, mas tive uma história para contar sobre aquele nome que resumia aquela pessoa sem graça que ela era e isso já me bastava.

Seguindo na descoberta de títulos, nomeando e descobrindo novos e cada vez mais inusitados nomes para cada uma das coisas, fui me fazendo homem. Durante a vida, adquiri muitos títulos. Alguns eu quis, outros sem querer foram direcionados à mim. Houveram momentos em que desejei ávido me livrar de alguns deles e hoje percebo que ainda luto para conquistar outros. Coisa de taurino tolo querendo demarcar território, resumindo as coisas para entender melhor e ruminar com mais rapidez o que envolve aquele ser humano, objeto, sentimento ou lugar diante de mim. Mania de infância, coisa de parto e educação intrínseco a mim.

Ainda não me tornei especialista na magia secreta de nomear as coisas. É claro que já aprendi a intitular algumas realidades com mais propriedade e até mesmo reconhecê-las com mais parcimônia. Entendi com o passar dos anos que algumas situações se bastam apenas com um título de indefinição. Pois por mais duro que pareça, nem tudo tem contexto, história ou redação certa para o desenrolar de linhas. E no fundo a realidade é na maioria das vezes assim. Até aí tudo bem, mesmo com a indefinição eu já me satisfaço para alguns casos. Mas o que fazer quando a história pegou rabeira na esperança da lembrança de dias bons, de momentos intensos, de trocas indagáveis, de histórias com linhas, pontos e parágrafos que podem ser facilmente contados a qualquer um, porém não possuem um título específico? A resposta para esta pergunta eu não sei. Claro que é um não sei para mim. E por hoje é isso o que me tira o prumo, o rumo e mexe com as estruturas aprendidas no berço.

O meu problema não é descrever-te ou falar sobre minhas histórias. Tenho páginas e páginas mentais preparadas para contar os detalhes dos seus olhos nos meus, dos seus olhos nos outros, da sua boca em mim, da nossa quase verdade rente a pele, dos dias de sol e praia, dos dias de chuva e carro, do seu e do meu trabalho. Se quer saber, tenho até começo, meio e um fim improvisado para tudo o que vivemos num verão inacabado. E é por isso que não posso encaixar o que vivemos como indefinido, seria tão mais fácil, mas é impossível, eis aí o meu desespero. Juro que procurei no fundo, do escuro de mim, um título experiência que me resuma ou resenhe o que vivemos, o que temos, ou que teremos daqui pra frente. Queria um bem bonito, que combinasse com seu nome que já é um título dos mais caros pra mim. E você pode até sugerir: Amigos? Não, ainda não me cabe. Felizes? Também não se encaixa. Para sempre? Não faz o menor sentido, mesmo que você seja para mim  o passado  mais árduo e que não passa.

Contudo o que me enlouquece, pode não fazer o menor sentido para você ou para os outros que me lêem. Este é outro título que aprendi com tempo: espera. Por fim cada um com seu cada qual, com suas histórias e seus títulos ou não. Mas para mim, como expliquei aqui, e agora todos já sabem, sem título, sem história, sem catarse. Embora não sem sofrimento, sem sentimento, sem amor e sem história para explicar-lhe.





Intrínseco

22 11 2011

Te detesto por hoje, te odeio por ontem. Mas sei que seguirei te amando pela manhã.





Cores, incolores…

8 11 2011
Caleidoscope

Caleidoscópio

Verdes olhos teus.

Castanhos olhos meus,

vidros quebrados contando o tempo, o sentimento,

a sua falta.

Embriagado de um vinho tinto cor de carmim.

No meio de uma tarde azul

reluzindo um Sol amarelo Sol.

Vagando por entre devaneios vermelhos

Sangue branco, preto, amarelado.

De onde vêm este amor cor de paciência?

Para onde vai a falta que eu te faço?

Ponteiros pretos de qualquer relógio,

marcam as águas dos olhos meus, vidrados,

castanhos esverdeados, apenas parados

sucumbindo a mim e minhas cores,

absorvendo você,

e a falta que por inteiro me descolore.

 





Latência

26 10 2011

O Abapuru - Tarsila do amaral

 

Será que a minha tristeza ainda invade os seus poros, seus pelos, seus olhos e por consequência seus pensamentos?  É possível que eu ainda seja uma brincadeira sadia, uma taquicardia, um beijo ou saliva? Será? Será?

Vamos logo, diga aí… Ainda sou seu moleque, seu mano, seu beijo mais doce, seu olhar mais tranquilo? E acima de tudo seu corpo, seu amigo, seu ombro indizivelmente paciente para que possas apoiar seus sonhos?

Será que ainda sou seu poeta, seus paspalhão, seu colombo descobridor, suas aulas de direção?

Constato…Eu? Seu, seu… só você não percebeu…