Prosa quase poética

27 08 2013
Assassino na Alameda (1919) - Edvard Munch

Assassino na Alameda (1919) – Edvard Munch

Em dias assim,

Onde há noites de Sol e vento,

Me arrisco em ruas escuras

Desafiando a sorte.

Ando metros, quilômetros, léguas

E numa prosa quase poética

Suspiro com medo, mas também com vontade

Tomo água, degusto canções

Pulo canteiros sem plantas

Tropeço em calçadas,

raízes de árvores,

Lixo.

Rio de um verão escaldante que não condiz com nada

E num lapso devaneio, insano, insone e sereno

Eu peço,

Eu espero.

Suplico e desejo que me assaltem,

O coração

O pensamento

A alma.

Só pra sentir,

Para bater alguma coisa aqui,

Que pulse diferente da frequência

Solidão saudade.

Algo que me reviva o coração vazio

Que não bate

apenas palpita oco

Pulsando esperança

de  te encontrar pelo caminho

E ao mesmo tempo te deixar partir

Para algum lugar

Que me liberte

De um eterno caminhar poético e pachorrento

Desalento de intensidade

Compasso apertado

Pungente peito estufado

De um vazio que só existe

Quando em dias assim,

Me disponho a cansar-me

Para que fatidicamente me assaltem

O coração

O pensamento

A alma

E o desejo de ter alguma coisa aqui

Que me faça existir

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